sábado, 1 de outubro de 2011

A cidade das ilusões


Em 160 anos, a cidade de  Imperatriz viu nascer 20 mil bares e 20 mil pedintes da Bolsa Família. Aqui não há uma indústria sequer. Alguns políticos venderam a idéia de que aqui é um novo eldorado, mas a realidade é bem diferente. Alguns dizem que aqui se vive de fachada, mas como isso pode ser possível apenas pelo que se vê no número de concessionárias e carros novos circulando desordenadamente pelas três únicas ruas que têm movimento na cidade? Há algo mais aí. Pessoas de Imperatriz e região não agüentam competir com investidores do sul e o resultado disso é a quebra do comércio.
            Muitos aventureiros aportam aqui diariamente em busca de riqueza fácil, como se aqui fosse um garimpo, uma Serra Pelada sem serra. O que existe na verdade são investimentos especulativos, onde são cobrados preços comparados com os de cidades como São Paulo e outras mais, a prova disso é que um shopping inaugurado recentemente na cidade, abriu somente com 50% de lojas fuuncionando, e após receberem o primeiro boleto de cobrança, muitos aventureiros que meteram a cara, já estão desesperados, alguns já falam em entregar os "PONTOS". 
O mercado imobiliário está em polvorosa, mas os preços são absurdos. É coisa pra gente muito rica mesmo. Imagine você que comprei um lote bem barato ali no subúrbio de João Lisboa e queria fazer um muro. Passei perto da antiga rodoviária e vi lá um muro feito de pré-moldado, que lá no sul custa muito mais barato que alvenaria e assim busquei um jeito de economizar meus parcos recursos. Mas para minha surpresa, depois de andar de sol a sol em busca de um oásis ( sim, porque em Imperatriz, informação é um artigo muito raro, seja em que esfera for) encontrei um empreiteiro, de Itinga. O cidadão deve ter enxergado em mim um Aristóteles Onássis ou um Sheik do Barém. O fato é que ele me cobrou irrisórios 37 mil reais para fazer um muro em João Lisboa. Pense!!!!
Mas não é só isso. Esses especuladores quebraram o comércio local. Os comerciantes estão atolados até o pescoço com compromissos para pagar. Alguns estão apenas na casca, qualquer intempérie é suficiente para quebrá-los definitivamente. O semblante é de fachada.
Além disso, a festa nem bem começou, mas já tem data marcada. Será em setembro de 2012, quando será inaugurado o Imperial Shopping na BR-010. Quem sobreviver, verá. Neste empreendimento, apenas alguns raríssimos e corajosos imperatrizenses terão vez. Toda a pompa e todo o luxo virão de outros lugares. Hoje, apenas o condomínio está girando mensalmente pela casa dos 7 mil reais, até lá, certamente haverá reajuste.
O poder aquisitivo desta região é o menor do Brasil e assim sendo, não precisamos ser economistas para saber que haverá um choque econômico na cidade a partir desta data. O motivo é simples: os empregos aqui oferecidos pagam apenas um salário mínimo e com isso não há luxo que se sustente. Caos, colapso, coisas assim deste gênero apontam num horizonte não muito distante.
Muitos sinais de inadimplência já são notados no comércio de imperatriz. Empresas lançam cartões de crédito personalizados e estes sucumbem num piscar de olhos. Mas como não ser assim, se o perfil do consumidor das tardes mostra uma dona de casa que vai ao calçadão depois da novela da tarde acompanhada por uma fila de filhos que não pode deixar em casa e tem que voltar rapidamente porque senão o marido chega do serviço querendo jantar.
O governo federal lançou o Micro Empreendedor Individual e não emprestou um centavo sequer para o maranhense. Como sobreviver sem vender a panelada e poluir o centro da cidade com a imensa falta de higiene. A sorte é que o povo daqui é muito resistente às doenças. Deve ser o sol quente que mata os micróbios!
A solução para essa montanha de problemas está muito longe de ser encontrada. O governo estadual não colabora porque a Roseana Sarney detesta Imperatriz onde só tem a votação dos vereadores, diplomados em “puxa-saquismo” e que arrebanham uma minúscula legião de “puxa-sacos” menores. Além disso o prefeito também puxa o saco da governadora (se é que ela tem isso; mas se não tiver puxa outra coisa) e trabalha pouquíssimo a infra-estrutura da cidade. Como vamos receber novos aventureiros dessa maneira? Uma hora a bomba explode.... e eu não quero nem estar perto, porque vai voar caco para todo lado.

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